29 de novembro de 2023 16:39
Natal Tempo

Litoral brasileiro: recuperação da orla marítima é necessária em diversas praias

Foto: Obra de Alargamento Meaípe, Espírito Santo / Divulgação - JDN

A erosão costeira é um processo natural que ocorre ao longo das costas e pode ser definida como a perda gradual do solo e rocha nas margens costeiras devido à ação das ondas, correntes, vento e marés. É um fenômeno que ocorre em todo o mundo e é influenciado por uma variedade de fatores, incluindo a topografia local, a geologia, a dinâmica das ondas, a mudança climática e a atividade humana.

A erosão costeira pode ter várias consequências, incluindo a perda de terras e propriedades, a destruição de habitats naturais e a redução da biodiversidade, a interrupção das atividades econômicas e o aumento da vulnerabilidade das comunidades costeiras aos eventos climáticos extremos, como tempestades e inundações.

Das estratégias para gerenciar/mitigar a erosão costeira, destaca-se a contenção por meios de aterro hidráulico, popularmente conhecido por “obras de engordamento de praia”.

A região costeira de Meaípe, em Guarapari (ES), é um exemplo positivo da transformação que estas obras podem propiciar. A obra de alargamento da faixa de areia da praia foi recém-concluída e os moradores e comerciantes, além de verem os ativos públicos e privados (rodovias e construções) protegidos do avanço do mar, já sentem a diferença com o aquecimento do turismo. “Em dois meses de trabalho ininterruptos, cerca de 1,3 milhões de m³ de areia foram dispostos na praia, e o novo visual conta com a ampliação entre 50 e 80 m entre areia e calçada, totalizando 3,3 km de extensão”, explica Steven de Beats, gerente da obra da Jan de Nul, em Meaípe.  Além da dragagem, que deu início no aterro em 16 de março e encerrou no último dia 10 de maio, a obra conta ainda com a construção dos enrocamentos nas extremidades da orla, que visam conter futuras erosões sobre o material acomodado na nova linha de costa. A obra completa será entregue em meados de junho.

Para Ricardo Delfim, Diretor Comercial da Jan de Nul, as obras de alargamento das praias do litoral brasileiro serão cada vez mais frequentes. “A costa do Brasil, em sua magnífica extensão de aproximadamente 8.500 km, combina: a ocupação humana mais densa do país e está em plena evolução geológica. A dinâmica costeira e seus processos erosivos tendem a trazer mais preocupações quando envolvem áreas urbanizadas”.

Exemplo dessa degradação estrutural são as praias de João Pessoa (PB). Em 2012, Williams Guimarães, geólogo e analista ambiental da Secretaria de Meio Ambiente alertou, que um dos principais cartões postais da cidade, o Farol do Cabo Branco, tendia a desabar em um período de 20 anos. A estrutura é localizada no alto da Falésia do Cabo Branco e está em uma área que recua entre 0,46 e 1,92m por ano devido à erosão causada pelo contato com o mar. Essa área ainda abrange a Praia do Seixas e a Praça de Iemanjá.

“Outros exemplos que infelizmente acompanham João Pessoa (PB), também na região Nordeste, são os de Natal (RN), especialmente na Praia de Ponta Negra, e Maceió (AL). Estas localidades estão sofrendo com processo erosivo bastante intenso, que coloca em risco não apenas patrimônios públicos, mas também naturais e, envolvem até implicações na exploração do turismo de forma sustentável”, explica Delfim. Segundo o diretor, para mitigar os efeitos da erosão costeira nessas praias, são necessárias medidas que incluem além do aterro hidráulico, construção de estruturas semirrígidas, como espigões, quebra-mares e molhes.

“Há série de outros exemplos que podem ser citados, também em outras regiões da costa brasileira, como Santos (SP) na região da Ponta da Praia, Piçarras e Itapema (ambas em SC), mas o que vale registrar é que as intervenções de alargamento das praias têm o potencial de reverter a situação de uma área em risco costeiro, e consigo traz muitos benefícios. Além de atrair mais turistas e gerar receita para o comércio local, disponibiliza praias amplas, maior espaço de recreação e prática de esportes. E, claro, o maior benefício é o ambiental, já que protege a costa contra a erosão marinha”, pontua o diretor.

Independente da região a ser realizada a obra de alargamento, é importante salientar a necessidade de um projeto específico analisando todas as estruturas da região. “É fundamental que o projeto seja acompanhado de medidas de mitigação e gestão ambiental para garantir a sustentabilidade do empreendimento e a preservação dos ecossistemas costeiros”, finaliza Delfim.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp