7 de dezembro de 2023 04:23
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COLUNA: DO USO POLÍTICO AO ROMBO: Bolsonaro deixou bilhões de prejuízo na Caixa

Foto: Sérgio Lima/Poder360

Economia e Política, por Ismael Mendonça

Ano eleitoral sempre é um tempo atípico quando relacionado aos anos anteriores, pois é um período que tem costumes típicos, comportamentos políticos anacrônicos, especialmente, metidos ao coronelismo. É sempre assim quando os candidatos a reeleição querem emplacar suas candidaturas.

E, nesse sentido, Bolsonaro é o exemplo mais recente sobre o quanto temos de fiscalizar o uso da máquina pública para fins eleitorais.

Veio à tona o vultoso valor utilizado pelo ex-presidente e candidato a reeleição em 2022, que se utilizou da Caixa Econômica Federal como forma de tentar fazer o cidadão mais empobrecido acreditar que estaria sendo financiado para melhoria de sua vida. Após 3 anos de mandato esquecendo os mais necessitados – mesmo durante a pandemia, já que a proposta do ex-ministro da economia Paulo Guedes era dar R$ 250 de auxílio – o ex-presidente à época achava que usando recursos públicos por alguns meses seria capaz de contornar o seu potencial fracasso eleitoral; a ideia era ludibriar os necessitados nos últimos meses do seu mandato.

Na ânsia pela reeleição, até mesmo por estar ciente da obrigação de se reeleger para se manter livre da justiça, Jair Messias Bolsonaro usou por volta de 10,6 bilhões de reais, que foram liberados até a eleição por via da Caixa, banco público.

Duas medidas provisórias foram editadas pelo Governo Federal, dando pleno poder para o banco financiar pessoas que estariam inclusive com seus nomes restritos em serviços de proteção ao crédito (famoso nome sujo).

Entretanto, o que não estava plenamente claro era como o banco conseguiria tantos recursos e como financiaria reduzindo os riscos, pois a Caixa se utilizou do expediente de sigilo como forma de esconder o emaranhado elaborado pelo seu ex-presidente Pedro Guimarães; pessoa que também é investigada por assédio sexual e moral.

A primeira linha de crédito foi instituída para pessoas com nome restrito. Nesse programa, o banco estatal liberou R$ 3 bilhões, mas, hoje, encontra-se com inadimplência de 80%. Parte desse recurso será coberto com verbas do FGTS. Ou seja, serão os trabalhadores que pagarão o dinheiro emprestado para pessoas que, sabidamente, já eram maus pagadores.

O que o governo Bolsonaro criou foi nada mais que um grande sistema de garantia frágil, com pobre financiando pobre, de maneira que o calote de boa parte dos recursos já estava previsto. Em síntese, sem garantias reais, a Caixa foi usada unicamente para fins eleitores e, com isso, acabou traindo o povo brasileiro mais necessitado.

A segunda linha de crédito é ainda mais estranha, pois fora liberado R$ 7,6 bilhões para que beneficiários do Auxílio Brasil – hoje chamado de Bolsa Família – pudesse tirar empréstimo consignado entre o primeiro e o segundo turno das eleições. Trocando em miúdos, o que vimos foram pessoas que têm dificuldade de conceberem a alimentação de suas famílias serem convidadas a fazerem empréstimos dando como garantia a mínima alimentação que podem comprar.

Atualmente, essa segunda linha de crédito encontra-se com milhares de pessoas pagantes, porém recebendo menos recursos para alimentação e, ainda, temos pelo menos 100 mil pessoas que estão devendo sem que o próprio banco saiba como pagarão, pois elas foram excluídas do Bolsa Família e, com isso, o banco não tem outra garantia de recebimento. Dinheiro do povo foi literalmente derramado e pode ser perdido, para sempre.

A verdade é que o delírio de Bolsonaro para se reeleger deixou na Caixa Econômica Federal verdadeiras linhas de créditos perdidos. Criou-se uma terra arrasada, infrutífera, e com muita gente endividada em troco do interesse escuso de um presidente sem a mínima capacidade de dividir interesse pessoal do interesse público.

 

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