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Anthropic diz que Claude encontrou sistema semelhante ao CRISPR

Empresa afirma que modelo identificou uma estrutura em DNA bacteriano após 21 horas de análise, mas a função do sistema ainda não foi determinada.

Por Vitoria · September 24, 2026

A Anthropic afirmou ter identificado, com auxílio do modelo de inteligência artificial Claude, um sistema enzimático em DNA bacteriano que pode representar um novo mecanismo de edição genética. A empresa, porém, ainda não determinou a função da estrutura e não apresentou evidências de que ela possa ser usada em terapias ou aplicações práticas.

Segundo a companhia, o Claude encontrou o sistema de forma autônoma depois de passar 21 horas examinando um grande banco de dados de sequências de DNA. A busca foi realizada a pedido de pesquisadores do laboratório de biologia criado recentemente pela Anthropic em São Francisco, nos Estados Unidos.

A estrutura apresenta características observadas em apenas um pequeno número de sistemas considerados programáveis e tem um padrão que a empresa classificou como semelhante ao CRISPR. O sistema natural, encontrado em bactérias, serviu de base para o desenvolvimento de técnicas de edição do genoma usadas em pesquisas e tratamentos médicos.

Descoberta ainda não equivale a uma nova tecnologia CRISPR

Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, disse que a empresa suspeita que a chamada “máquina molecular” possa representar um novo mecanismo de edição genética. Em uma publicação na rede X, ele afirmou que a inteligência artificial está apenas no início de sua capacidade de produzir descobertas com potencial para avanços médicos.

Stanley Qi, professor associado de bioengenharia da Universidade Stanford, considerou o resultado muito relevante. Para ele, o ponto de destaque é a capacidade do modelo de reconhecer um padrão biológico incomum, difícil de detectar anteriormente, e investigá-lo de maneira abrangente em poucas horas.

Kevin Blake, microbiologista da Escola de Medicina da Universidade Washington, adotou uma avaliação mais cautelosa. Ele afirmou que a descrição como “semelhante ao CRISPR” levou algumas pessoas a concluir prematuramente que a Anthropic teria encontrado uma tecnologia capaz de substituir o CRISPR usado em edição genética.

Blake ressaltou que o CRISPR encontrado na natureza corresponde, essencialmente, a um sistema de defesa bacteriano, enquanto a tecnologia de edição genética foi desenvolvida a partir desse mecanismo. Segundo ele, há inúmeras sequências semelhantes ainda não identificadas entre milhões de espécies de bactérias, e nada no anúncio indica que a estrutura possa se transformar em uma aplicação terapêutica.

O que já existe na edição genética

Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna foram pioneiras no uso do sistema CRISPR natural para editar o DNA de organismos vivos. Pelo trabalho, as duas receberam o Prêmio Nobel de Química de 2020.

O potencial médico da tecnologia também foi demonstrado em tratamentos personalizados. No ano passado, o Hospital Infantil da Filadélfia informou ter usado uma terapia genética baseada em CRISPR para tratar um bebê com deficiência de carbamoil fosfato sintetase 1, uma doença metabólica rara.

Vitoria