O governo interino da Venezuela e a oposição concordaram em avançar na reforma do Supremo Tribunal de Justiça, após a segunda rodada de negociações entre os dois lados. Um comitê de sete integrantes foi criado para revisar o sistema de seleção dos candidatos à corte.
O acordo foi anunciado em um comunicado conjunto. As partes também decidiram continuar a análise dos instrumentos legislativos necessários para transformar o sistema judicial venezuelano. A medida representa o primeiro avanço concreto das reformas judiciais prometidas pela presidente interina, Delcy Rodriguez.
A delegação do governo foi liderada por Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional. A oposição foi representada por Dinorah Figuera, que comandou o bloco oposicionista vencedor da última eleição venezuelana reconhecida internacionalmente, realizada em 2015.
Negociações começaram em agosto
Na primeira rodada de conversas, realizada em agosto, governo e oposição haviam concordado em reformar o sistema judicial e buscar a recuperação de ativos venezuelanos congelados pelo Banco da Inglaterra. Uma nova rodada de negociações está prevista para outubro.
O governo interino assumiu o poder depois que o ex-presidente Nicolás Maduro foi levado pelos militares dos Estados Unidos em janeiro, segundo o material divulgado. Desde então, a administração de Rodriguez aproximou o país dos Estados Unidos, mas ainda não apresentou um cronograma definido para a abertura do sistema político.
Rodriguez prometeu realizar eleições durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta semana, mas não indicou uma data. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira que conversou com a líder venezuelana sobre eleições na última semana, sem fornecer detalhes adicionais.
Trump e Rodriguez também se reuniram durante a Assembleia Geral. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que os dois discutiram a reestruturação de bilhões de dólares da dívida soberana da Venezuela.
O processo de transição é alvo de críticas. Segundo o material, críticos compararam o acordo que concede aos Estados Unidos controle sobre grande parte das reservas de petróleo venezuelanas a arranjos impostos anteriormente por potências coloniais a países ricos em petróleo. Organizações de direitos humanos também afirmam que a estrutura repressiva do período de Maduro permanece em funcionamento, apesar das promessas de mudança.

