A Polícia Federal abriu uma apuração preliminar sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. O procedimento começou após uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU) e está sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência da corporação, segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Rodrigues afirmou que a apuração está em andamento, mas ainda não há portaria publicada para a abertura de um inquérito. A representação da AGU foi apresentada depois de uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a destinação de US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,3 milhões, por um fundo do Departamento de Estado dos Estados Unidos a um programa que teria como objetivo atacar e tentar enfraquecer a credibilidade do Supremo Tribunal Federal.
A AGU pediu a identificação dos responsáveis e de eventuais destinatários dos recursos no Brasil. O material disponível não informa quais pessoas ou entidades são investigadas pela PF.
TSE diz não ter identificado risco internacional
Também neste domingo (4), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques, afirmou que os órgãos de segurança que acompanham o processo eleitoral não detectaram riscos internacionais. Segundo ele, não havia relatório da PF, da Agência Brasileira de Inteligência ou de setores que atuam em parceria com o TSE apontando esse tipo de ameaça.
A declaração ocorreu dois dias depois de os Estados Unidos suspenderem os serviços consulares na embaixada em Brasília e nos consulados no Brasil. A medida começou na sexta-feira (2), sob a justificativa de preocupações com a segurança. O governo norte-americano não detalhou publicamente a natureza da ameaça.
Funcionários da embaixada na capital federal foram orientados a trabalhar de casa após a representação receber uma ameaça. A PF cumpriu duas ordens de busca, em São Paulo e no entorno do Distrito Federal, para apurar um possível planejamento de ações contra instalações diplomáticas dos Estados Unidos.
De acordo com Andrei Rodrigues, porém, as diligências não encontraram elementos concretos que confirmassem um risco efetivo para a embaixada ou para os consulados. O diretor-geral disse que a corporação atuou após receber uma comunicação da representação norte-americana e cumprir medidas judiciais em um processo sigiloso.
Apurações são consideradas distintas
A investigação sobre a ameaça às instalações diplomáticas é separada da apuração sobre possível interferência eleitoral. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao TSE que considere a suspensão dos serviços consulares como um novo fato em uma ação que trata de uma suposta interferência estrangeira nas eleições.
A petição foi apresentada pela Coligação Brasil Pronto Pra Mais, que move a ação contra Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente. Segundo os advogados da coligação, haveria uma estrutura de intervenção externa dividida em frentes comunicacional, institucional e diplomática.
A campanha relaciona essa suposta estrutura à atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump. Também citou a informação, atribuída a uma reportagem da TV Band, de que a decisão de suspender os serviços consulares teria partido de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos. O material não informa decisão do TSE sobre o pedido.

