O chatbot de inteligência artificial lançado pelo governo de Donald Trump passou a evitar perguntas políticas depois de contrariar afirmações do presidente sobre a eleição presidencial de 2020 e a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.
Batizada de America.gov, a ferramenta foi apresentada na terça-feira, 29, como uma plataforma para simplificar o acesso a informações e a alguns serviços do governo federal. Trump descreveu o chatbot como “bom pra caramba”.
No primeiro dia de funcionamento, o sistema respondeu a uma pergunta sobre fraude na eleição de 2020 com base em avaliações federais oficiais. “As avaliações federais oficiais realizadas após a eleição presidencial de 2020 não encontraram fraude em uma escala que alterasse o resultado”, afirmou a ferramenta.
Trump afirma, sem apresentar provas, que venceu aquela eleição. As respostas iniciais do chatbot também contrariaram narrativas do governo sobre imigração e sobre os acontecimentos de 6 de janeiro, segundo análise do Instituto de Democracia Digital das Américas.
Resposta muda no dia seguinte
Quando recebeu a mesma pergunta na quarta-feira, o America.gov adotou outra postura: “Não faço comentários políticos nem análises sobre eleições passadas”. Parlamentares democratas divulgaram rapidamente as respostas dadas pelo sistema no primeiro dia.
O instituto afirmou que análises iniciais apontaram que a ferramenta, de modo geral, forneceu respostas baseadas em evidências e respaldadas por registros governamentais, inclusive quando esses documentos contradiziam declarações de Trump e de seu governo.
Não está claro se as configurações do chatbot foram alteradas para impedir que ele contestasse o presidente. A Casa Branca não se manifestou sobre a mudança de comportamento da ferramenta.

