Dezenas de milhares de pessoas participaram de manifestações em várias cidades da França nesta terça-feira (6), em uma mobilização que reúne estudantes do ensino médio, professores e sindicatos contra as condições das escolas e por mais recursos para a educação. O movimento aumentou a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron, que está deixando o cargo.
O Ministério do Interior informou que 86 mil pessoas haviam participado dos protestos no início do dia. A Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais centrais sindicais do país, estimou o público em 260 mil manifestantes.
Estudantes bloqueiam as entradas de centenas de escolas desde o fim de setembro. Entre as reclamações estão a falta de professores, horários sobrecarregados, salas deterioradas e prédios sem estrutura para lidar com o aumento das temperaturas.
Confrontos deixam feridos e provocam prisões
Grande parte dos atos foi pacífica, mas alguns grupos atearam fogo, destruíram abrigos de ônibus e entraram em confronto com a polícia de choque. As forças de segurança usaram cassetetes, gás lacrimogêneo e munições de controle de distúrbios.
O governo afirma que 215 estudantes e 715 policiais ficaram feridos desde o início do movimento. O gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu informou ainda que 85 integrantes das equipes de ensino também se machucaram.
Uma adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos após ser atingida por uma granada de atordoamento disparada por policiais durante um confronto na cidade de Lens, no norte do país, na segunda-feira (5). O caso integra o conjunto de denúncias de violência policial feitas por estudantes, sindicatos e organizações de direitos humanos, que acusam as autoridades de empregar força desproporcional.
O ministro do Interior, Laurent Nunez, disse na segunda-feira que a polícia abriu dez investigações internas sobre alegações de abuso desde o começo dos protestos.
De acordo com o Ministério da Educação, 24 escolas foram incendiadas ou depredadas. Mais de 5 mil pessoas foram presas, sendo 87% delas menores de idade.
Governo quer cobrar danos ao patrimônio
Além da resposta policial, o governo prepara uma proposta para que os responsáveis por danificar bens públicos paguem diretamente pelos reparos. Atualmente, segundo a medida anunciada, os custos são arcados por recursos públicos.
A mobilização ocorre em meio à cobrança por investimentos nas escolas e à insatisfação com as condições de aprendizado. O número de participantes, no entanto, é objeto de divergência entre as autoridades e a CGT, que apresentaram estimativas diferentes para o tamanho dos atos.
Fonte: Al Jazeera – Breaking News, World News and Video from Al Jazeera.

