O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos retirou da lista de sanções Theint Win Htet, filha de um empresário de Mianmar acusado de apoiar o governo instalado pelos militares. A decisão foi registrada na sexta-feira, segundo o site do órgão, após ela apresentar uma nova ação judicial contra o governo americano.
A retirada ocorreu dias depois de uma reportagem da Reuters afirmar que o governo do presidente Donald Trump reabriu conversas com o governo de Mianmar. O movimento representaria uma mudança em relação à política adotada pelos Estados Unidos após o golpe de 2021, quando Washington impôs sanções a líderes militares e empresas ligadas ao Exército.
Origem das sanções
Em janeiro de 2024, o Tesouro americano sancionou o Shwe Byain Phyu Group of Companies, fundado por Thein Win Zaw, pai de Theint Win Htet, e pela família. Na ocasião, o departamento afirmou que o grupo fornecia combustível às Forças Armadas de Mianmar e controlava pelo menos 20 empresas com vínculos estreitos com a liderança militar.
Theint Win Htet foi incluída nas medidas por sua ligação familiar com o grupo empresarial. Ela alegou, no entanto, que não tinha participação nos negócios do pai. As sanções bloquearam cartões de crédito americanos, restringiram contas bancárias mantidas no exterior e fizeram com que ela abandonasse um mestrado na Universidade Columbia, em Nova York.
A empresária vive atualmente na Tailândia com a mãe, que também havia sido incluída na lista americana e foi retirada no ano passado. O primeiro processo apresentado por Theint Win Htet, contra o governo do então presidente Joe Biden, foi rejeitado. Em julho, ela entrou com uma segunda ação no tribunal federal do Distrito de Columbia.
Depois da decisão do Tesouro, o advogado Erich Ferrari, especialista em sanções e baseado em Washington, protocolou um pedido para encerrar voluntariamente o processo. A retirada do nome da lista elimina a medida que era contestada na ação.
Reação de grupo de direitos humanos
O grupo Justice For Myanmar criticou a decisão do Tesouro. A organização afirmou que o governo americano continua retirando sanções de empresários e familiares ligados à junta, enquanto as Forças Armadas de Mianmar intensificam ataques contra civis.
As sanções impostas pelo governo Biden atingiram oficiais e empresas depois do golpe de 2021, que desencadeou uma guerra civil no país. Segundo o material, o conflito matou cerca de 100 mil pessoas e deslocou mais de 3,5 milhões. Em julho do ano passado, Washington também retirou sanções de outros cidadãos de Mianmar e de uma empresa acusada de ajudar os militares.
Fonte: Al Jazeera – Breaking News, World News and Video from Al Jazeera.

