Tânia Sena, candidata a deputada federal pelo Podemos em Rondônia, foi indiciada pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro na Operação Aerogold, que investigou um esquema de extração e comercialização ilegal de ouro. A investigação começou após a apreensão de mais de 3 quilos do minério em uma aeronave fretada por ela em 2020.
Segundo informações reunidas pela Repórter Brasil, Sena aguardava o desembarque do voo no aeroclube de Porto Velho quando um dos passageiros foi preso em flagrante com 3,12 quilos de ouro sem documentação. A aeronave havia partido do Amazonas, e o fretamento custou R$ 25,5 mil, conforme relatório da PF acessado pela reportagem.
Em depoimento, a candidata afirmou que havia contratado o avião para transportar peças de draga ao Amazonas e trazer uma amiga para Rondônia. Ela disse desconhecer a presença do ouro e negou participação no transporte do minério.
Sena foi alvo de prisão temporária durante a operação, deflagrada em setembro de 2022. A medida foi revogada cinco dias depois. A operação cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 18 de prisão em Rondônia, Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso e São Paulo.
Movimentações financeiras
A investigação também apontou relações comerciais entre Sena e Dirceu Santos Frederico Sobrinho, conhecido como “rei do ouro” e então presidente da Associação Nacional do Ouro. Ele foi um dos alvos da operação e era sócio-administrador da FD’Gold Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
De acordo com dados obtidos pela quebra do sigilo bancário, a FD’Gold transferiu R$ 621,6 mil para Sena entre dezembro de 2019 e março de 2021. O relatório da PF apontou ainda que ela movimentou cerca de R$ 23,8 milhões entre 2018 e 2021, valor considerado incompatível pelos investigadores com a renda declarada.
Sena disse à PF que os recursos vinham do garimpo e que as operações eram acompanhadas de notas fiscais. O relatório final, porém, registrou que seria necessária uma perícia para verificar se o volume de ouro comercializado era compatível com as movimentações financeiras.
Cooperativa tem suspeitas e multa ambiental
Antes de entrar na disputa eleitoral, Sena presidiu a Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (Coogam), com sede em Manaus e escritórios em estados da Região Norte. A entidade é citada em uma denúncia do Greenpeace Brasil, publicada em agosto, por supostamente operar um “garimpo fantasma” no rio Tapajós, no Pará.
A cooperativa teria declarado a extração de 4,5 quilos de ouro na área, avaliados em mais de R$ 2 milhões. Segundo o Greenpeace, imagens de satélite e um sobrevoo não identificaram atividade garimpeira no local. A organização também afirmou que a Coogam possui licenças próximas ao limite da Terra Indígena Munduruku, em área que pode afetar cerca de 30 aldeias.
Em 2023, uma unidade da Coogam em Itaituba, no Pará, recebeu multa de R$ 3 milhões do Ibama por operar uma draga no rio Tapajós em desacordo com a licença. Fiscais apontaram aumento da turbidez da água e impacto potencialmente maior porque a atividade realizada não estava prevista na autorização.
Na campanha, Sena se apresenta como alguém que conhece o garimpo por dentro e defende uma regularização mais rápida para quem atua dentro da legalidade. Ao Tribunal Superior Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 2,48 milhões, incluindo uma draga avaliada em R$ 2 milhões.
A Repórter Brasil informou que procurou Tânia Sena e a Coogam, mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem. As informações sobre a investigação e as suspeitas ambientais são atribuídas aos documentos e às entidades citadas; o indiciamento não representa condenação.
Fonte: Repórter Brasil.

