Um em cada cinco conteúdos ofensivos identificados nas redes sociais durante a Copa do Mundo deste ano tinha teor racista, segundo relatório divulgado pela Fifa nesta sexta-feira (9). A entidade encontrou 240.676 publicações abusivas entre mais de 17 milhões analisadas no período do torneio.

O monitoramento foi realizado entre 9 de junho e 20 de julho nas plataformas X, Instagram, Facebook e TikTok. Foram observadas as contas oficiais das 48 seleções e os perfis de 1.606 pessoas ligadas à competição: 1.248 atletas, 188 treinadores e integrantes de comissões técnicas e 170 árbitros e outros oficiais.

As mensagens ofensivas foram direcionadas a 812 indivíduos, o equivalente a 50,6% das pessoas acompanhadas. Do total, 477.217 publicações foram encaminhadas para revisão humana depois de serem identificadas pela inteligência artificial do serviço de proteção de redes sociais da Fifa.

França foi a seleção mais atingida

A seleção francesa foi a que mais sofreu ataques, com destaque para as ofensas racistas, que representaram 33% das publicações dirigidas à equipe. Na Inglaterra, ataques racistas e xenofóbicos somados chegaram a 21%. Segundo o estudo, os conteúdos questionavam a composição multicultural dos dois elencos.

Um jogador não identificado pela Fifa recebeu mais de 10 mil mensagens abusivas, sendo 40% racistas. O atleta também foi alvo de homofobia, sexismo e transfobia. Conforme a entidade, o volume de ataques cresceu depois que comentários de teor racial feitos por uma figura pública a respeito do jogador foram amplamente compartilhados.

O relatório também registrou que 12% das mensagens revisadas continham ataques xenofóbicos. Alegações de corrupção apareceram em 15% dos conteúdos, em grande parte dirigidos à própria Fifa. Já as ameaças violentas representaram 14% e atingiram o pico após a vitória da Noruega por 2 a 1 sobre o Brasil, nas oitavas de final.

Milhões de conteúdos foram bloqueados

De acordo com a Fifa, 60,7 milhões de mensagens foram publicadas nas plataformas da entidade e das seleções durante a Copa. Desse volume, 9,2 milhões foram bloqueadas automaticamente, antes de serem exibidas ao público.

O serviço de proteção usado pela federação também oculta conteúdos considerados indesejados para proteger participantes das competições. A Fifa informou que a tecnologia é usada contra mensagens produzidas por usuários e imagens geradas por inteligência artificial.

Em comunicado divulgado na véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, lembrado neste sábado (10), o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a entidade reafirma o compromisso de proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio nas redes sociais.

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