O líder oposicionista indiano Rahul Gandhi foi detido pela terceira vez em dois dias durante um protesto contra a revisão das listas eleitorais do país. Ele e outros parlamentares da oposição foram abordados pela polícia nesta quarta-feira, 7, quando caminhavam em direção a Jantar Mantar, área autorizada para manifestações em Nova Délhi.

Uma transmissão ao vivo no canal do Partido do Congresso, legenda de Gandhi, mostrou policiais colocando o político em um veículo e deixando o local. Outros parlamentares e manifestantes também foram detidos. Até a publicação das informações, a polícia não havia se pronunciado sobre as detenções.

O que motivou os protestos

Partidos de oposição, organizações estudantis ligadas a essas siglas e o movimento jovem “Cockroach” exigem a saída de Gyanesh Kumar, chefe da Comissão Eleitoral da Índia. Eles acusam o órgão de favorecer o Partido Bharatiya Janata (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi, durante a revisão dos cadastros de eleitores.

A Comissão Eleitoral retirou até agora mais de 130 milhões de nomes das listas. Milhões de pessoas recorreram das exclusões. No pleito de 2024, cerca de 969 milhões de indianos estavam aptos a votar.

Os oposicionistas afirmam que as mudanças atingiram de forma desproporcional eleitores que apoiam partidos contrários ao governo, enquanto preservaram ou incluíram pessoas mais propensas a votar no BJP. A comissão e o governo rejeitam a acusação. Segundo eles, a revisão busca eliminar registros duplicados e eleitores inelegíveis, sem motivação política, e manter os cidadãos aptos devidamente registrados.

Detenções anteriores

Gandhi e outros parlamentares também protestaram na terça-feira. A polícia dispersou a manifestação e os deteve brevemente. Antes de ser levado nesta quarta, o líder disse que o grupo decidiu ir ao local autorizado depois que a polícia interrompeu o ato do dia anterior.

Gandhi afirmou ainda que os manifestantes pretendiam declarar que, para eles, Gyanesh Kumar não era o comissário legítimo. O oposicionista também acusou os responsáveis pela revisão de “roubo de votos” e defendeu a renúncia do chefe eleitoral.

As manifestações representam um novo desafio político para Modi em seu terceiro mandato. Meses atrás, protestos liderados pelo movimento jovem “Cockroach Janta Party” provocaram a saída do ministro da Educação após denúncias relacionadas a vazamentos de provas. O material também associa os atos a insatisfação com a falta de empregos, a corrupção e a ausência de responsabilização no governo.

Fonte: Al Jazeera – Breaking News, World News and Video from Al Jazeera.

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