A Tesla passou a chamar de Tesla Assisted Driving (TAD) seu sistema mais avançado de assistência ao motorista na Europa. A mudança ocorre enquanto a montadora tenta convencer reguladores a autorizar o uso da tecnologia em vias públicas do continente.

O recurso era comercializado como Full Self-Driving (Supervised), apesar de não conduzir o veículo de forma autônoma. A tecnologia pode acelerar, frear, esterçar e estacionar, mas a Tesla exige que o motorista permaneça atento e pronto para intervir a qualquer momento.

Segundo uma manifestação do Ministério dos Transportes da Alemanha, a Tesla aceitou alterar o nome após discussões realizadas no mês passado. O ministro alemão dos Transportes, Steffen Bilger, considerou a denominação “FSD” potencialmente enganosa e afirmou que passaria a defender uma aprovação rápida do recurso pelos reguladores europeus.

A União Europeia deve votar a autorização até o fim do ano, mas a aprovação ainda não está confirmada. Na sexta-feira, a Tesla começou a usar a expressão Tesla Assisted Driving em seu site europeu de vendas. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Histórico de críticas ao nome

A montadora resistiu durante anos a alterar a denominação do sistema e chegou a defendê-la na Justiça. No ano passado, o Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia concluiu que o uso dos termos Full Self-Driving e Autopilot era enganoso e violava a legislação estadual.

Após a agência ameaçar suspender as licenças de fabricação e de venda da Tesla no estado, a empresa deixou de usar o termo Autopilot. O nome oficial do sistema Full Self-Driving continuou, porém, acompanhado da indicação “Supervised”, que sinaliza a necessidade de supervisão humana.

Proprietários afirmam que o recurso evoluiu desde sua apresentação, em 2020, e alguns usuários dizem ter feito viagens inteiras sem precisar intervir. A tecnologia também é alvo de investigações e medidas de segurança. Em março, o governo federal dos Estados Unidos abriu uma apuração após nove incidentes nos quais o sistema teria falhado em condições de visibilidade reduzida e não teria alertado os motoristas para assumir o controle.

Em 2023, a Tesla fez um recall de uma versão anterior do software depois que autoridades americanas concluíram que o sistema não obedecia a algumas regras de trânsito.

Expansão internacional

A Tesla e seu CEO, Elon Musk, pressionam há anos pela aprovação da tecnologia em outros mercados. A expansão pode criar uma fonte de receita baseada em software para a empresa. Nos Estados Unidos, a assinatura do Full Self-Driving (Supervised) custa US$ 99 por mês.

Austrália e Nova Zelândia aprovaram o recurso no ano passado. A Holanda foi o primeiro governo europeu a conceder autorização provisória para o lançamento, na primavera deste ano. Uma versão do sistema também foi disponibilizada para clientes na China em maio.

Na mesma semana da mudança de nome, a Reuters informou que a Tesla teria apresentado dados de segurança enganosos a reguladores europeus durante o processo de pressão pela aprovação. Pesquisadores de segurança também acusaram a montadora de usar estatísticas enganosas para promover a tecnologia nos Estados Unidos.

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Felipe é autor do Ginga Notícias e acompanha os principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Escreve sobre temas de interesse público e assuntos que movimentam o noticiário, buscando apresentar informações de forma clara, contextualizada e acessível ao leitor.

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