Pesquisadores identificaram uma rota até então desconhecida para a saída de fluidos e resíduos da parte posterior do olho. O caminho, observado em camundongos, conecta a região a vasos linfáticos e pode ajudar a explicar como o organismo remove materiais acumulados perto da retina.
Chamado de via de drenagem linfática ocular posterior, ou POLO, o sistema foi descrito por uma equipe da University of British Columbia e da University of Toronto. Os resultados foram publicados na revista Translational Vision Science & Technology.
A retina é um tecido de alta atividade metabólica e produz resíduos que precisam ser eliminados. O acúmulo de fluidos, proteínas e material inflamatório na parte posterior do olho está associado a doenças como glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e outros distúrbios da retina.
Como a rota foi identificada
Para acompanhar o caminho dos fluidos, os cientistas combinaram ressonância magnética, imagens de fluorescência no infravermelho próximo e análise microscópica. Eles inseriram moléculas fluorescentes em um espaço estreito localizado atrás do olho dos animais.
Os marcadores foram observados em pequenos vasos linfáticos situados na coroide, uma camada rica em vasos sanguíneos sob a retina. Em poucos minutos, o material alcançou tecidos ao redor do globo ocular e gânglios linfáticos próximos, indicando uma conexão com a rede linfática do organismo.
Durante mais de um século, a visão predominante era que o olho não possuía sistemas de drenagem linfática semelhantes aos encontrados em outros órgãos. Em 2009, pesquisadores da mesma área já haviam identificado uma rota relacionada na parte anterior do olho, chamada de via uveolinfática.
Possíveis aplicações ainda precisam ser testadas
A descoberta pode oferecer um novo caminho para investigar a relação entre drenagem de fluidos, pressão, inflamação e doenças oculares. No futuro, o conhecimento sobre a via poderia orientar terapias destinadas a melhorar a remoção de resíduos ou a levar medicamentos a estruturas profundas do olho.
Essas aplicações ainda são hipóteses. Como os experimentos foram feitos em camundongos, estudos adicionais terão de verificar se a via POLO funciona da mesma forma em seres humanos, se alterações nela contribuem para doenças e se sua atividade pode ser modificada com segurança.

