Projetos de data centers e os efeitos da inteligência artificial passaram a ocupar espaço no debate político dos Estados Unidos, inclusive em regiões urbanas como o Brooklyn, em Nova York. O tema dominou conversas em um evento realizado cinco dias antes da eleição de meio de mandato, marcada para 3 de novembro, segundo relato publicado pela TechCrunch.
Organizado pela empresa de mídia Newsreel, o encontro reuniu profissionais de tecnologia, representantes da política, pesquisadores e defensores de pautas ambientais e de saúde pública. Embora a programação incluísse discussões sobre a atenção digital e o futuro do Partido Democrata, a expansão da infraestrutura necessária para a inteligência artificial reapareceu em diferentes painéis e conversas entre os participantes.
Um relatório da Data Center Watch citado no evento apontou que quase US$ 200 bilhões em projetos de data centers foram adiados, paralisados ou bloqueados no primeiro semestre de 2026 por oposição política e comunitária. O material também afirma que Pensilvânia, Geórgia, Texas, Nova York e Virgínia discutem regras adicionais e medidas de transparência para a expansão do setor.
Críticas à falta de participação local
Durante um debate sobre o assunto, a pesquisadora de tecnologia e direitos humanos Maia Woluchem e a defensora de meio ambiente e saúde pública Hilary Flint discutiram a reação de moradores a novos empreendimentos. Entre as queixas mencionadas estavam supostos acordos pouco transparentes entre empresas de tecnologia e autoridades locais, além de regras de zoneamento que poderiam dificultar a identificação dos projetos antes do início das obras.
Os participantes também relataram preocupações com possíveis riscos ambientais e à saúde, além da sensação de que as comunidades perderam controle sobre decisões que afetam seus bairros. A discussão contrapôs esses receios à promessa de investimentos e empregos associados à instalação dos complexos.
Em outro painel, a apresentadora Batya Ungar-Sargon afirmou que sindicatos apoiam alguns projetos por causa dos postos de trabalho esperados. O relato, porém, ressalta que parte significativa dessas vagas é criada durante a construção e não permanece depois da conclusão das obras. A discussão também associou a resistência ao setor à perda de empregos industriais e à desconfiança em relação às grandes empresas de tecnologia.
Eleição e reação à tecnologia
O vereador de Nova York Chi Ossé participou de uma conversa sobre política e responsabilidade das empresas. Segundo o relato, ele defendeu maior cobrança sobre executivos de tecnologia e disse que líderes que falam sobre riscos extremos da inteligência artificial deveriam prestar depoimentos ao Congresso.
Para Jack Brewster, fundador da Newsreel, a inteligência artificial apareceu em todas as conversas realizadas no palco e foi o segundo tema mais frequente entre as perguntas enviadas pelo público durante as inscrições. Na avaliação atribuída a ele, em comunidades rurais a reação estaria mais ligada ao medo de substituição profissional; no Brooklyn, à percepção de que os ganhos econômicos ficam concentrados entre poucos.
O encontro também refletiu uma preocupação mais ampla com o avanço acelerado da tecnologia. Participantes citaram a substituição de trabalhadores, os impactos dos chamados deepfakes e a rejeição à inteligência artificial generativa em áreas como arte e publicidade. O episódio descrito pela publicação indica que a disputa sobre novos empreendimentos tecnológicos já ultrapassa o setor e alcança discussões sobre emprego, planejamento urbano, transparência e representação política.

