A Polícia Federal arquivou nesta quarta-feira (7) uma apuração preliminar sobre uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. Segundo a corporação, não foram encontrados elementos suficientes para confirmar a existência de ilícitos atribuídos ao governo de Donald Trump.
O procedimento foi instaurado após uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU), apresentada à PF e ao Ministério Público Federal. A iniciativa partiu da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, com base em informações divulgadas pela imprensa internacional.
De acordo com a apuração da CartaCapital, a denúncia não chegou a resultar na abertura de um inquérito policial propriamente dito. O caso foi tratado como uma apuração preliminar antes de ser arquivado.
Origem da suspeita
A representação da AGU teve como principal referência uma reportagem publicada em setembro pelo jornal britânico The Guardian. O texto relatava que o governo Trump teria redirecionado recursos destinados a programas de direitos humanos para promover uma agenda de extrema-direita no exterior.
A suspeita levada às autoridades brasileiras era de que esses recursos pudessem financiar e manter entidades e grupos da sociedade civil voltados a pressionar ou desestabilizar instituições do Judiciário brasileiro. A alegação mencionava ações contra uma suposta extrapolação judicial e contra alegados episódios de censura atribuídos ao Supremo Tribunal Federal.
Ao comunicar o arquivamento, a PF afirmou que não encontrou evidências capazes de demonstrar que o governo dos Estados Unidos tenha interferido no processo eleitoral brasileiro. O material disponível não informa se a AGU pretende apresentar novos elementos ou contestar a decisão.
Arquivamento ocorre após o primeiro turno
O encerramento da apuração ocorreu três dias depois do primeiro turno das eleições de 2026. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação em primeiro lugar, com 47,03% dos votos, enquanto Lula (PT), candidato à reeleição, obteve 45,16%, segundo os dados apresentados no material.
A investigação havia sido mencionada publicamente no domingo (4) pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, que afirmou que o procedimento havia começado a partir da representação da AGU.

