O telescópio espacial Nancy Grace Roman, da NASA, apresentou qualidade de imagem quase 30% superior à prevista após uma série de testes e ajustes ópticos. O instrumento Wide Field Instrument registrou erro de apenas 63 nanômetros RMS, abaixo do limite de 90 nanômetros definido antes do lançamento.
O resultado amplia a expectativa sobre as observações que o observatório fará em grandes regiões do céu. A missão foi projetada para investigar a matéria escura, a energia escura e outros fenômenos ligados à estrutura e à evolução do Universo.
Ajustes de alta precisão
Para alinhar o sistema óptico, os engenheiros movimentaram o espelho secundário em uma distância equivalente a cerca de um dezesseis avos do diâmetro de um fio de cabelo humano. A alteração ajustou a altura do espelho em relação ao principal e melhorou a trajetória da luz até os instrumentos científicos.
Segundo Alden Jurling, engenheiro óptico sênior da NASA Goddard, a correção foi possível porque os componentes já estavam posicionados com grande precisão. O trabalho de modelagem, medição e testes realizado antes do lançamento deixou apenas pequenos ajustes para a etapa em órbita.
O valor de 90 nanômetros RMS usado como referência representa o erro óptico esperado no sistema. Para comparação, essa dimensão é aproximadamente mil vezes menor que a espessura de um fio de cabelo. A medição de 63 nanômetros indica que o telescópio poderá produzir imagens mais nítidas do que o planejado inicialmente.
Testes dos instrumentos
A campanha de verificação começou depois da ativação do Wide Field Instrument, em setembro. Os engenheiros examinaram seus 18 detectores, os componentes eletrônicos e uma roda que gira filtros e outros elementos ópticos para selecionar diferentes comprimentos de onda da luz.
Também foi testado o sistema interno de calibração. LEDs produzem sinais de diferentes cores e intensidades, permitindo medir como cada detector responde à luz e corrigir eventuais diferenças de sensibilidade.
Outra etapa envolveu o mecanismo de alinhamento do instrumento, que foi retirado da posição deliberadamente desfocada usada durante o lançamento e levado à configuração de maior nitidez. O sistema de controle térmico, responsável por manter as temperaturas adequadas aos componentes, também passou por verificações.
Dave Hickey, engenheiro de sistemas do Wide Field Instrument, afirmou que as principais pesquisas da missão dependem do desempenho da câmera, já que os levantamentos abrangentes do céu serão realizados com ela.
Coronógrafo entra na próxima fase
Além da câmera principal, a equipe avaliou o Coronagraph Instrument, que inicialmente produzia imagens ligeiramente fora de foco. A condição foi considerada menos grave do que o previsto e pôde ser corrigida com os ajustes de alinhamento.
O coronógrafo agora atende às expectativas de desempenho da equipe. Os próximos trabalhos incluem o refinamento das configurações da câmera e a definição dos ajustes ideais para seus espelhos deformáveis, capazes de alterar a própria forma para corrigir a passagem da luz.
Nas próximas semanas, os engenheiros também planejam testar a capacidade do instrumento de bloquear luz indesejada. Esse recurso é necessário para observar objetos pouco luminosos próximos de fontes muito mais brilhantes.
Com os dois instrumentos científicos atingindo ou superando os níveis esperados, o Roman concluiu mais uma etapa de preparação para as observações regulares.

