A Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) realiza até sábado (7), em Mar-a-Lago, na Flórida, um encontro internacional da direita radical com ingressos que chegam a US$ 25 mil. O evento reúne, entre os palestrantes, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ex-deputado federal.
O pacote mais barato custa US$ 2,5 mil, cerca de R$ 13,2 mil, e dá acesso à gala. A categoria de US$ 5 mil inclui também um jantar na piscina. O pacote VIP, de US$ 7,5 mil, oferece atividades adicionais. Já a modalidade Co-Host, vendida por US$ 25 mil, prevê acesso aos eventos, encontros com palestrantes e jantares exclusivos.
Programação inclui jantar de gala e atividades de lazer
Flávio está previsto no jantar de gala desta quinta-feira (5), ao lado do ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro no filme Dark Horse. A programação também inclui sessões reservadas, assentos prioritários, brunches e atividades de relacionamento.
O encontro foi divulgado como um “retiro de luxo”, com opções de golfe, spas, resorts e restaurantes sofisticados de Palm Beach. Entre os estabelecimentos recomendados pela organização estão o Flagler Steakhouse, o Renato’s e o Sant Ambroeus.
Os temas anunciados incluem críticas ao comunismo e ao socialismo, acusações de suposta instrumentalização da Justiça contra conservadores, pautas antiaborto, imigração e combate ao tráfico de pessoas. A CPAC também pretende discutir o futuro do movimento conservador nos Estados Unidos e sua expansão internacional.
Eduardo é apresentado como deputado “em exílio”
Na divulgação do evento, Eduardo Bolsonaro aparece descrito em inglês como “Member of the Chamber of Deputies in Exile”, ou integrante da Câmara dos Deputados em exílio. Segundo o material, ele perdeu o mandato em dezembro de 2025 depois de faltar a pelo menos um terço das sessões deliberativas da Casa.
O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e, de acordo com a reportagem, atua junto ao governo norte-americano em medidas de pressão contra autoridades brasileiras. O texto cita o tarifaço, a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e a suspensão de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Investigação sobre repasses é mencionada
A participação de Jim Caviezel ocorre enquanto o filme Dark Horse é citado em uma investigação no Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal apura se um repasse de R$ 61 milhões, de um total de R$ 134 milhões prometidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Flávio Bolsonaro, teria sido usado para custear despesas de Eduardo nos Estados Unidos ou para caixa dois na campanha presidencial do senador.
As suspeitas são apresentadas como objeto de apuração, sem conclusão indicada no material. A reportagem também relembra que Flávio participou de uma edição da CPAC no Texas, em março, quando defendeu o potencial do Brasil para ajudar os Estados Unidos a reduzir a dependência da China em minerais críticos, especialmente terras raras.

