Doze ex-funcionários do governo de Joe Biden que deixaram os cargos em razão da política dos Estados Unidos para Gaza pediram que os possíveis candidatos democratas à Presidência em 2028 rejeitem essa orientação e excluam de futuras administrações os responsáveis por sua formulação e execução.

O apelo foi divulgado nesta quarta-feira (29), em um comunicado conjunto intitulado “Gaza Resignees”. Segundo o grupo, as renúncias ocorreram entre o fim de 2023 e 2024, motivadas pelo que os signatários classificaram como apoio “ilegal e incondicional” às ações de Israel no território palestino.

Os ex-integrantes afirmaram que candidatos democratas devem se comprometer a não contratar, em um eventual governo, autoridades diretamente responsáveis por permitir as ações militares israelenses em Gaza durante a gestão Biden.

Três compromissos propostos

O documento propõe três compromissos aos postulantes à indicação democrata. O primeiro é respeitar a Constituição e atuar de acordo com o interesse nacional dos Estados Unidos. O segundo prevê reconhecer a cumplicidade do país nas ações em Gaza por meio do fornecimento de armas, financiamento e apoio diplomático.

O terceiro compromisso é formar uma administração alinhada aos interesses dos Estados Unidos e sem espaço para pessoas que tenham sido arquitetas, líderes, defensoras ou facilitadoras importantes da política de apoio incondicional a Israel. Os ex-funcionários também acusaram antigos responsáveis pela política para Gaza de tentar apresentar seus próprios papéis de forma mais favorável e buscar retornar ao processo de formulação de políticas públicas.

O grupo disse que essas autoridades tiveram oportunidades de defender leis dos Estados Unidos e normas internacionais, mas permaneceram em silêncio ou trabalharam para manter medidas que os signatários consideram ilegais. As declarações fazem parte do posicionamento político dos ex-funcionários e não representam, no material divulgado, uma decisão judicial sobre as acusações.

Mortes em Gaza

Organizações de direitos humanos, especialistas, acadêmicos e investigações das Nações Unidas avaliaram que a ofensiva de Israel em Gaza configura genocídio, segundo o material. Israel rejeita essa caracterização, mas o conteúdo fornecido não detalha a posição do governo israelense sobre o comunicado dos ex-funcionários.

Desde outubro de 2023, ao menos 74.564 palestinos morreram e 175.770 ficaram feridos, de acordo com autoridades de saúde palestinas. Os números não são acompanhados, no material, de uma metodologia independente de verificação.

O governo Biden, que esteve no poder entre 2021 e 2024, enfrentou oposição de parlamentares progressistas e grupos ativistas por causa do apoio dos Estados Unidos a Israel. Segundo a fonte, esse apoio continuou durante o governo de Donald Trump, reeleito no ano passado. A deputada Rashida Tlaib e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, são citados como opositores da continuidade desse suporte.

Fonte: Al Jazeera – Breaking News, World News and Video from Al Jazeera.

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