O Pentágono informou ao Congresso dos Estados Unidos que a guerra contra o Irã já custou pelo menos US$ 47,1 bilhões aos contribuintes americanos. A estimativa, calculada até 16 de outubro e divulgada na semana passada, inclui operações militares e a reposição de munições utilizadas no conflito.

O valor foi revelado a cinco dias das eleições legislativas de 3 de novembro, que definirão se o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, manterá o controle do Congresso pelos próximos dois anos.

Como o custo foi calculado

Segundo informações repassadas por funcionários do Congresso ao The New York Times e citadas por veículos americanos, cerca de US$ 29 bilhões do total correspondem à reposição de bombas, projéteis e outros equipamentos militares consumidos durante a guerra.

A Força Aérea gastou US$ 7,6 bilhões com unidades de caças e bombardeiros. A Marinha destinou US$ 1,5 bilhão a duas dezenas de navios de guerra e porta-aviões, enquanto o Exército empregou US$ 2,1 bilhões para manter suas tropas no Oriente Médio.

O levantamento também inclui US$ 6,1 bilhões para substituir aeronaves e munições danificadas, US$ 645 milhões em transporte e apoio a forças de operações especiais e US$ 24,5 milhões em assistência médica interna para militares. O Comando de Transporte gastou US$ 92,2 milhões para deslocar equipamentos, e o Comando Cibernético, US$ 14 milhões em operações de suporte digital.

Mais de 50 mil militares americanos estão posicionados no Oriente Médio, segundo o Comando Central dos Estados Unidos. A estimativa, porém, não calcula os reparos nas bases militares danificadas na região nem inclui o combustível usado por navios e aeronaves.

Estimativas aumentaram ao longo do conflito

O número mais recente supera a projeção de US$ 38 bilhões feita pelo Escritório de Orçamento do Congresso em setembro. Também está acima dos US$ 37,5 bilhões informados pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, em julho, dos US$ 29 bilhões divulgados pelo governo em maio e dos US$ 25 bilhões estimados pelo controlador financeiro do Pentágono no fim de abril.

O escritório do Congresso calculou no mês passado que a guerra pode acrescentar entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões por mês aos gastos americanos enquanto continuar. O conflito entrou no nono mês sem um acordo de paz, segundo o material divulgado.

O inspetor-geral do Pentágono afirmou que as tropas enfrentam falta estratégica de itens nos estoques, embora o governo Trump negue que esteja ficando sem armamentos.

Impacto econômico e eleitoral

Além das despesas militares, a guerra afetou os custos de energia. O Irã fechou, no início de março, o estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. O bloqueio provocou alta nos preços e escassez em diferentes países.

Nos Estados Unidos, o preço médio do galão de diesel chegou a US$ 6,35 na quarta-feira, ante US$ 3,75 um ano antes, de acordo com a Associação Americana do Automóvel. O combustível mais caro também elevou despesas em várias etapas da cadeia de alimentos.

O conflito se tornou impopular no país, enquanto a aprovação de Trump caiu para 33%, o menor nível durante seus dois mandatos, conforme os dados apresentados no material. Na média nacional do RealClearPolling, os democratas apareciam com 51,4% das preferências, contra 43,2% dos republicanos.

Para Chris Featherstone, cientista político da Universidade de York, o custo da guerra atinge duas promessas centrais da campanha de Trump em 2024: não iniciar novas guerras e melhorar a economia americana. A avaliação é que parte dos apoiadores mais próximos deve continuar com o presidente, mas eleitores periféricos podem se afastar devido ao impacto no custo de vida.

O número de baixas também é objeto de divergência. O Pentágono reconheceu publicamente 18 mortes de militares, enquanto o Washington Post, citando seis funcionários não identificados, informou que o total seria de pelo menos 22. O banco de dados oficial do Departamento de Defesa registra 865 militares feridos.

Fonte: Al Jazeera – Breaking News, World News and Video from Al Jazeera.

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