Um depósito de resíduos de mármore que se tornou atração turística em Kishangarh, no estado indiano do Rajastão, recebe centenas de visitantes por dia, mas é apontado por moradores e pesquisadores como uma fonte de riscos à saúde e ao ambiente. O local, conhecido como “Pátio de Neve”, tem colinas brancas e áreas alagadas que lembram uma paisagem coberta de neve.
O depósito ocupa cerca de 121 hectares e fica a aproximadamente 6 quilômetros da vila de Bhogiyawas. A entrada é gratuita, e o cenário é usado para fotografias de recém-casados, ensaios pré-casamento, vídeos para redes sociais, filmes e videoclipes. A paisagem também atrai famílias e visitantes de outras partes da Índia.
A popularidade do espaço contrasta com os relatos das comunidades que vivem ao redor. Segundo moradores ouvidos pela Al Jazeera, a poeira do material se espalha pelas casas e plantações. Agricultores afirmam que o resíduo se deposita no solo, endurece a terra e dificulta o cultivo.
Resíduos de milhares de toneladas por dia
Kishangarh é um polo de mármore e granito com cerca de 1.200 unidades de processamento. De acordo com a Federação Indiana da Indústria de Granito e Pedra, o setor movimenta mais de 160 milhões de rúpias por dia e emprega aproximadamente 25 mil pessoas.
Cerca de mil caminhões levam diariamente o material ao depósito autorizado pelo governo. O volume despejado chega a aproximadamente 5.500 toneladas de resíduos por dia, segundo as informações reunidas pela reportagem.
Moradores de pelo menos seis vilas associam a presença do depósito a infecções no peito, alergias de pele e problemas dentários. Um deles afirmou que precisa tomar medicamentos regularmente, assim como a esposa, por causa de infecções respiratórias e problemas dermatológicos.
A médica Aditi Goyal, do Hospital Ganga Narayan, em Ajmer, disse que os residentes de Kishangarh estão expostos principalmente a problemas respiratórios e de pele. Segundo ela, trabalhadores das unidades de processamento são mais vulneráveis a doenças crônicas por permanecerem por longos períodos em contato com poeira tóxica.
Estudo aponta contaminação do solo e do ar
Uma pesquisa liderada por Laxmi Kant Sharma, professor de ciência ambiental da Universidade Central do Rajastão, encontrou concentração de silicato de chumbo no solo várias vezes acima do nível considerado normal. O estudo classificou o resultado como indicativo de contaminação extrema.
O trabalho também apontou que partículas menores que 75 micrômetros podem se espalhar por grandes distâncias e reduzir a fertilidade do solo. A concentração de PM2,5, uma categoria de partículas finas, estaria acima dos limites dos padrões de qualidade do ar. Os pesquisadores afirmaram que algumas pessoas podem estar sofrendo de silicose e defenderam medidas imediatas.
Outro morador relatou que a água subterrânea deixou de ser adequada para consumo e atribuiu à presença de níveis elevados de flúor o gosto salgado da água, além de problemas nos dentes e fraqueza nos ossos. Essas declarações fazem parte dos relatos de moradores apresentados pela reportagem e não substituem uma avaliação médica individual.
Sharma afirmou que as áreas próximas ao depósito são inadequadas para habitação humana. Ele defendeu a transferência do local para uma área sem contato com moradores e sugeriu o aproveitamento da lama de mármore na fabricação de azulejos, uma alternativa que, segundo o pesquisador, poderia reduzir a poluição.
Tribunal determinou fiscalização
Um ambientalista local levou o caso ao Tribunal Nacional Verde, órgão indiano responsável por questões ambientais. A corte observou que o descarte sem controle da lama de mármore estava contaminando o ar e a água subterrânea.
O tribunal determinou que o Conselho de Controle da Poluição do Rajastão intensificasse o monitoramento, realizasse inspeções por amostragem e aplicasse penalidades às unidades de processamento que descumprissem as normas ambientais. A Al Jazeera procurou uma autoridade regional do conselho em Kishangarh, mas ela se recusou a comentar o assunto.
Moradores também pedem a transferência do depósito e a criação de campanhas médicas gratuitas para avaliar pessoas expostas à poeira fina. Eles afirmam que muitas famílias não teriam condições de pagar pelo tratamento caso desenvolvessem doenças de alto custo.
Fonte: Al Jazeera – Breaking News, World News and Video from Al Jazeera.

