O jornal russo Novaya Gazeta anunciou que encerrará suas operações, após uma sequência de medidas das autoridades contra a publicação e seus profissionais. O conselho editorial afirmou, em comunicado divulgado na sexta-feira, que a equipe foi forçada a interromper as atividades.
O editor-chefe Sergei Sokolov informou, em um vídeo publicado no YouTube, que o jornal deixará de existir. Segundo ele, as luzes da sede serão apagadas em 9 de novembro, quando os servidores serão desligados e a equipe deixará o local onde o veículo funcionou por 30 anos.
A publicação atribuiu o encerramento à pressão do governo russo e dos serviços de inteligência. A alegação foi apresentada pelo próprio conselho editorial e por Sokolov, sem indicação, no material disponível, de uma decisão judicial determinando diretamente o fechamento.
Pressão contra jornalistas
O anúncio ocorreu depois de as autoridades russas revistarem a casa do editor-chefe. Sokolov foi levado para interrogatório em 15 de outubro em uma investigação que, segundo as autoridades, tem relação com o caso do colega Oleg Roldugin.
Roldugin foi preso em abril e acusado de acesso ilegal a informações computadorizadas. A organização Repórteres Sem Fronteiras questionou até onde iria a campanha do Kremlin contra o jornal após a ação contra Sokolov.
De acordo com a entidade, seis jornalistas e funcionários da Novaya Gazeta foram assassinados, a redação foi alvo de buscas, profissionais foram processados e o veículo recebeu a classificação de “agente estrangeiro”, designação aplicada pelas autoridades russas.
Histórico recente
Considerado um dos veículos independentes de maior relevância na Rússia, o jornal já havia reduzido sua produção no país depois da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. As autoridades também revogaram sua licença de mídia.
A classificação como “agente estrangeiro” é descrita no material como uma medida usada para restringir a atuação de vozes dissidentes. Desde o início da guerra, a imprensa russa passou a enfrentar maior fiscalização estatal, enquanto veículos independentes e críticos do governo foram alvo de censura e detenções, segundo a reportagem.
O então editor-chefe Dmitry Muratov dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 2021 por seus esforços em defesa da liberdade de expressão à frente da publicação.
Fonte: Al Jazeera – Breaking News, World News and Video from Al Jazeera.

