O deputado federal Rui Falcão (PT-SP) apresentou à Procuradoria-Geral da República uma notícia de fato contra Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Edvaldo Nilo de Almeida. O parlamentar pediu investigação sobre suspeitas de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica relacionadas a repasses de R$ 4 milhões.
Segundo a representação, o escritório pertencente a Flávio recebeu o valor do escritório de Edvaldo em dois pagamentos de R$ 2 milhões. As transferências teriam ocorrido em agosto e outubro de 2025, antes da votação no Senado que aprovou a recondução de Edvaldo ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Na época, Flávio exercia o cargo de senador e participou da deliberação sem declarar impedimento, conforme relatado no documento. A segunda parcela teria sido enviada em 21 de outubro, 22 dias antes da votação.
O que a representação solicita
Rui Falcão pediu a abertura dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, o rastreamento das movimentações financeiras e a identificação da origem e do destino dos recursos. Também solicitou o envio à PGR de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O deputado requereu ainda o acesso a contratos e registros capazes de comprovar quais serviços foram prestados. As notas fiscais dos pagamentos apresentariam apenas a descrição genérica de “assessoria jurídica”, sem detalhar as causas ou os clientes relacionados aos valores.
A representação questiona se os pagamentos correspondem a serviços efetivamente realizados ou se contratos e comprovantes poderiam ter sido usados para ocultar benefícios indevidos ligados à recondução ao CNMP. A suspeita foi apresentada com base em reportagens publicadas por Metrópoles, UOL e O Globo.
Relações citadas no documento
Edvaldo Nilo atua na área de precatórios. Conforme as reportagens mencionadas na representação, o escritório teria registrado faturamento de R$ 143 milhões em 2025, quase todo originado de hospitais beneficentes e órgãos públicos.
O advogado também foi designado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) para integrar a Comissão de Ética Pública da Presidência da República em 2022.
Rui Falcão pediu que a PGR examine ainda uma possível conexão dos fatos com um inquérito conduzido no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Alexandre de Moraes. O procedimento apura suspeitas de lavagem de capitais envolvendo operações do advogado Willer Tomaz e de Flávio Bolsonaro.
A representação não equivale à conclusão de que houve crime. Os fatos ainda dependem de apuração pelos órgãos competentes.

