O Assaí Atacadista registrou crescimento de 3,9% nas vendas nas mesmas lojas em outubro e atribuiu parte do resultado à retirada de sites e aplicativos de apostas esportivas do ar. Segundo a companhia, o avanço se concentrou nas unidades que atendem clientes de baixa renda, especialmente no interior do Nordeste.
O presidente do Assaí, Belmiro Gomes, afirmou que a empresa identificou, a partir de 6 de outubro, aumento do tíquete médio e do volume de compras de alimentos entre famílias de baixa renda. O movimento também teria alcançado pequenos comerciantes abastecidos pela rede.
De acordo com o executivo, a alta ocorreu principalmente em categorias de alimentação básica, carnes e bebidas. Gomes estimou que a restrição às apostas pode representar uma melhora de 4% a 5% na base total de vendas de alimentos da companhia, caso seja mantida.
Medida ainda depende do Congresso
A restrição entrou em vigor em 25 de setembro, por meio de medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As plataformas ficaram impedidas de receber novos depósitos e tiveram até 6 de outubro para retirar os sites e aplicativos do ar. A medida também estabeleceu prazo para que bancos e instituições financeiras devolvessem valores mantidos nas contas de apostadores.
O Assaí trata a relação entre a retirada das plataformas e o desempenho das lojas com cautela porque a medida provisória ainda precisa ser votada pelo Congresso. O setor de apostas também recorreu ao Supremo Tribunal Federal.
Os primeiros dias de novembro, segundo Gomes, mantiveram uma tendência positiva. Ele avaliou que, se a restrição continuar, as famílias poderão ampliar o consumo de alimentos nos próximos meses, inclusive no período de Natal.
Resultados do período
Entre julho e setembro, antes da restrição, as vendas nas mesmas lojas do Assaí haviam avançado 0,1% na comparação anual. No período, o lucro líquido chegou a R$ 427 milhões, alta de 119%, impulsionado pelo reconhecimento de R$ 179 milhões em créditos tributários de PIS/Cofins.
A receita bruta somou R$ 21,3 bilhões, crescimento de 2,7%. A rede também informou que pretende ampliar a operação de farmácias, que atualmente conta com 11 unidades no estado de São Paulo e tem meta de chegar a 250 lojas.
A Associação Brasileira de Supermercados havia informado anteriormente que o varejo de alimentos cresceu em duas semanas de outubro, na comparação com o mesmo período de 2025, e também relacionou o desempenho à restrição das apostas.

