A Benchmark pretende manter uma estratégia de poucos investimentos por ano, mesmo após anunciar US$ 2 bilhões distribuídos em dois fundos. Em um painel do TechCrunch Disrupt, os cinco sócios da gestora afirmaram que o aumento de capital não deve alterar o ritmo seletivo que marcou a atuação da empresa.
Segundo Chethan Puttagunta, a velocidade de novos aportes permanece consistente. Cada sócio costuma fazer apenas duas ou três apostas por ano, em vez de ampliar o volume para acompanhar a aceleração do mercado de tecnologia e a disputa entre investidores.
A gestora anunciou no verão do Hemisfério Norte a criação de um fundo de crescimento de US$ 1,25 bilhão. Peter Fenton afirmou que a nova estratégia amplia o mandato da Benchmark, que historicamente se concentrava em investimentos em estágio inicial. Ele disse que a empresa deixou de aproveitar oportunidades que poderiam ter gerado retornos entre 10 e 1.000 vezes o capital investido por causa dessa restrição.
Fenton afirmou que gostaria de construir uma carteira bastante concentrada no novo fundo. Na avaliação dele, entre quatro e oito investimentos poderiam compor a estratégia, com a possibilidade de uma ou duas empresas responderem por cerca de 90% dos retornos caso o fundo seja bem-sucedido.
Parceria sem agenda formal
Os cinco sócios descreveram a estrutura da Benchmark como uma parceria pequena, com decisões tomadas a partir de conversas frequentes e sem um processo rígido de votação. As reuniões de segunda-feira não têm uma agenda formal, e o grupo discute empresas analisadas, reuniões de conselho e mudanças que podem se tornar viáveis em poucos meses.
Puttagunta afirmou que a ausência de uma pauta fixa permite reagir às necessidades dos fundadores, como a contratação de executivos ou a formação de parcerias estratégicas. Jack Altman, que entrou na Benchmark em fevereiro, disse que a estrutura reduzida foi uma das razões para deixar sua própria firma de investimentos e se juntar ao grupo.
Ev Randall, que já passou por Founders Fund, Bond e Kleiner Perkins, afirmou que se interessou pela Benchmark por causa do tamanho da parceria e da relação de confiança entre os sócios. Altman também disse que os investimentos feitos desde sua chegada envolveram setores como chips, robótica e infraestrutura, além de software.
IA e volatilidade do mercado
Ao comentar o mercado de inteligência artificial, Randall disse que é difícil prever uma correção macroeconômica com precisão. Para ele, parte da volatilidade recente está ligada à circulação de informações exageradas ou incorretas em redes sociais, e não necessariamente a uma deterioração estrutural do setor.
O sócio afirmou que empresas financiadas pela Benchmark registram demanda suficiente para atender clientes dispostos a pagar margens brutas consideradas boas, mas enfrentam dificuldades para obter capacidade computacional. Na avaliação dele, eventuais ofertas públicas de OpenAI e Anthropic poderiam reduzir oscilações provocadas por estimativas anônimas sobre essas companhias.
Eric Vishria também defendeu que empresas de inteligência artificial que precisam levantar grandes volumes de capital provavelmente continuarão recorrendo às ofertas públicas iniciais. Ele citou o caso da Cerebras, empresa de chips de IA apoiada pela Benchmark desde 2016, e disse que uma companhia aberta precisa lidar com fortes variações de preço ao longo do tempo.

