A Meta atribuiu a falhas técnicas problemas relatados pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ferramentas de suas plataformas e negou interferência nas eleições brasileiras. A empresa é responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp.
Em nota publicada nesta sexta-feira (16), a companhia afirmou que não toma partido “nessa nem em nenhuma outra eleição” e classificou como falsas as alegações de favorecimento a qualquer candidato ou grupo político. A manifestação ocorreu após a campanha de Lula relatar dificuldades em serviços da empresa e depois de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com determinações sobre o funcionamento das ferramentas.
Problemas atingiram ferramentas diferentes
Entre os episódios citados está a recusa da Meta AI em criar imagens com o nome de Lula e o número 13. Segundo o material apresentado ao TSE, a ferramenta teria criado peças relacionadas a Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante), enquanto não produzia conteúdo semelhante em referência ao candidato petista.
A Meta informou ao tribunal que problemas técnicos em comandos automatizados também afetaram a contagem de visualizações de um vídeo publicado no perfil de Lula e o bloqueio de impulsionamentos contratados pela campanha em setembro e outubro. A empresa sustentou que uma falha global atingiu 100 países, mas limitou o efeito à contagem visual de exibições nos reels, sem alterar a distribuição efetiva dos vídeos.
Sobre os bloqueios de setembro e outubro, a plataforma afirmou que eles foram provocados por uma varredura automatizada. De acordo com a empresa, o mecanismo foi reativado cerca de uma hora depois. A campanha de Flávio não relatou os mesmos problemas ao TSE, conforme as informações apresentadas no processo.
A companhia também disse que as restrições da Meta AI foram adotadas para impedir a geração de imagens de candidatos, em cumprimento às normas eleitorais. Na nota, afirmou que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política e que as regras têm aplicação igual para todos.
Decisão determina análise humana e critérios iguais
Em decisão publicada na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze proibiu a Meta de desabilitar contas de anúncios de candidatos sem análise humana prévia. Ele também determinou que a empresa repusesse, até 21 de outubro, a entrega de impulsionamentos contratados e não veiculados por causa das falhas.
A decisão estabeleceu ainda que a plataforma adote, em até 24 horas, critérios idênticos para atender ou recusar solicitações dos dois candidatos na ferramenta de inteligência artificial. O ministro determinou também um ajuste nos algoritmos para que a exclusão de recomendações alcance somente os perfis oficiais dos candidatos.

