O papa Leão afirmou que os alertas sobre os riscos de a inteligência artificial sair do controle devem ser levados a sério e resultar em medidas concretas. Em uma entrevista coletiva durante o voo de volta a Roma, após uma viagem de quatro dias à França, o pontífice defendeu que governos, empresas e organizações discutam formas de impedir que a tecnologia alcance um ponto capaz de ameaçar a humanidade.
A declaração foi dada na segunda-feira, em resposta a uma pergunta sobre o que Estados Unidos e China deveriam fazer para evitar riscos catastróficos associados à IA. Leão rejeitou a ideia de que essas preocupações sejam “fake news”, como já afirmou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao classificar os alertas como uma farsa.
Segundo o papa, as preocupações levantadas por especialistas em inteligência artificial precisam ser analisadas e enfrentadas. Ele também criticou diretamente executivos de tecnologia que defendem a ausência de limites ou de regulamentação para os sistemas de IA.
Críticas a empresas e defesa de limites
Durante a conversa, Leão mencionou que havia lido naquele dia sobre uma declaração de Jensen Huang, presidente-executivo da fabricante de chips Nvidia, a respeito da possibilidade de incluir mecanismos de segurança em determinados modelos de inteligência artificial. O pontífice, porém, demonstrou ceticismo porque Huang também teria defendido que não fossem impostos limites nem regulamentação governamental à tecnologia.
Huang disse à emissora CBS News, neste mês, que concordava com Trump na avaliação de que as preocupações relacionadas à segurança da IA eram exageradas.
O Vaticano intensificou nos últimos meses suas iniciativas em favor de uma governança internacional da inteligência artificial. As ações mencionadas pela fonte incluem debates sobre tecnologia nuclear, cultura e criação artística.
Papa colocou IA no centro do pontificado
Leão, descrito como o primeiro papa dos Estados Unidos, identificou a inteligência artificial como um dos maiores desafios para a humanidade poucos dias depois de sua eleição. De acordo com a fonte, ele também dedicou sua primeira encíclica ao tema da IA e à proteção da humanidade diante dos efeitos da tecnologia.
Em maio, o pontífice lançou pessoalmente o documento em um evento no Vaticano ao lado de Christopher Olah, cofundador da Anthropic. A iniciativa fez parte do esforço da Santa Sé para dialogar com o Vale do Silício sobre os custos humanos do avanço da inteligência artificial.
Na entrevista, Leão defendeu a convocação de líderes políticos, executivos do setor, organizações sociais e associações para estudar o que já ocorre e os possíveis desdobramentos da tecnologia. O papa disse que o trabalho deve continuar e que o mundo não pode simplesmente agir como se nada fosse acontecer.

