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Trégua comercial entre EUA e China é ampliada por dois meses

Extensão reduz a pressão imediata sobre tarifas e terras raras, mas analistas veem poucos sinais de um acordo permanente entre Washington e Pequim.

Por Vitoria · September 24, 2026

Estados Unidos e China ampliaram por dois meses a trégua comercial que havia reduzido parte das tarifas entre as duas maiores economias do mundo. O anúncio ocorreu durante a visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, onde ele se reuniu na quinta-feira com o presidente americano, Donald Trump.

A extensão mantém até 10 de janeiro a suspensão de novas restrições chinesas à exportação de terras raras e inclui um compromisso de Pequim de ampliar as compras de soja dos Estados Unidos. A medida oferece alívio temporário, mas não elimina as tarifas nem resolve as disputas sobre tecnologia, minerais estratégicos, acesso a mercados e segurança.

A avaliação predominante entre os analistas ouvidos pela Al Jazeera é que o acordo representa mais uma pausa tática do que um caminho já definido para um pacto abrangente. Para Einar Tangen, pesquisador do Center for International Governance Innovation, a extensão funciona como uma contenção provisória de um conflito estrutural e pode atender a interesses políticos imediatos de Trump antes das eleições legislativas americanas.

Phillippe Le Corre, professor de relações internacionais e estudos asiáticos da ESSEC Business School, afirmou que a duração reduzida da prorrogação indica que os dois governos ainda não encontraram uma base comum em várias questões. Segundo ele, a sucessão de extensões mais curtas sugere que um acordo permanente continua distante.

Tarifas continuam elevadas

A trégua foi estabelecida depois da escalada iniciada no começo do segundo mandato de Trump. O governo americano aumentou as tarifas sobre produtos chineses, alegando que a China facilitava o fluxo de fentanil para os Estados Unidos. Pequim respondeu com tarifas próprias e restringiu a exportação de terras raras, usadas em produtos tecnológicos e na indústria de defesa.

As tarifas chegaram a se aproximar de 150% antes de serem suspensas para permitir negociações. Mesmo após a trégua, os produtos chineses exportados para os Estados Unidos ainda enfrentavam tarifas médias de 36,5% em julho de 2026, segundo relatório do Congressional Research Service citado pela publicação. As mercadorias americanas vendidas à China eram taxadas em 31%.

Sun Chenghao, pesquisador do Center for International Security and Strategy da Universidade Tsinghua, classificou a extensão como um passo intermediário útil porque preserva a recente redução das tensões. Na avaliação dele, porém, compras adicionais não conseguem compensar indefinidamente a incerteza sobre tarifas, restrições tecnológicas e acesso aos mercados.

Uma nova escalada poderia elevar custos de importação e produção nos Estados Unidos, pressionar os preços ao consumidor e prejudicar agricultores e exportadores industriais americanos. Na China, o aumento das barreiras poderia afetar pedidos de exportação, empregos em setores expostos e a confiança das empresas.

Terras raras e tecnologia ampliam o conflito

A disputa comercial ocorre em paralelo à competição por inteligência artificial e à tentativa americana de reduzir a dependência de tecnologias chinesas. Jon Bateman, pesquisador do Carnegie Endowment for International Peace, afirmou que já está em curso uma separação parcial dos ecossistemas tecnológicos dos dois países.

Pequim mantém uma posição de força no mercado de terras raras. Segundo Le Corre, a China concentra 60% das reservas conhecidas desses minerais e processa 90% do total mundial. Os materiais são utilizados em semicondutores, componentes tecnológicos e armamentos. As restrições chinesas a parte das exportações foram colocadas em espera, mas não abandonadas.

Para que a trégua se transforme em um acordo duradouro, Sun defende reduções tarifárias mais amplas e prolongadas, licenças de exportação previsíveis, entregas efetivas de terras raras e minerais críticos, além de limites para a expansão das restrições tecnológicas. Também seriam necessários mecanismos regulares de consulta e resolução de disputas.

Os analistas apontam ainda Taiwan como um risco capaz de interromper rapidamente as negociações. A China reivindica a ilha, enquanto os Estados Unidos aprovaram no ano passado uma venda de armas de US$ 11,1 bilhões para Taiwan. Novas sanções, restrições minerais ou tecnológicas e divergências sobre o cumprimento dos compromissos também podem levar ao fim da trégua.

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