Milhares de manifestantes foram às ruas de Nova Délhi neste domingo (1º) para exigir a renúncia de Gyanesh Kumar, chefe da Comissão Eleitoral da Índia. O protesto, liderado pelo dirigente do Partido do Congresso Indiano, Rahul Gandhi, contesta mudanças nas listas de eleitores e a condução do processo eleitoral.
Partidos de oposição afirmam que a revisão retirou mais de 130 milhões de nomes dos cadastros e atingiu de forma desproporcional muçulmanos e outras minorias consideradas menos propensas a apoiar o Bharatiya Janata Party (BJP), legenda nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi.
A Comissão Eleitoral rejeita a acusação de favorecer qualquer partido. Segundo o órgão, eleitores cujos nomes tenham sido removidos por engano podem fazer um novo registro.
Segurança reforçada
As autoridades anunciaram desvios no trânsito e ampliaram a segurança antes da marcha, que saiu da região central da capital em direção ao histórico campo de Ramlila Maidan. Centenas de policiais foram mobilizados no entorno do local, alguns com cassetetes e escudos, além de veículos de controle de distúrbios.
Os manifestantes levaram bandeiras da Índia e de partidos políticos. Líderes da oposição participaram do deslocamento em um jipe aberto.
O ministro da Saúde, Jagat Prakash Nadda, classificou a mobilização como um “drama cuidadosamente orquestrado”, segundo a agência ANI. Ele afirmou que o ato seria uma tentativa calculada de levar o país à anarquia sob o argumento de defender a democracia.
Protestos desde setembro
Partidos de oposição, organizações estudantis e o grupo liderado por jovens Cockroach Janta Party realizam manifestações quase diárias desde o fim de setembro. Os atos pedem que Kumar deixe o cargo.
A onda de protestos começou depois que dois vice-chefes da Comissão Eleitoral levantaram preocupações sobre a revisão das listas, os procedimentos de registro e os sistemas digitais usados no processo.
O BJP acusa a oposição de enfraquecer a democracia ao questionar procedimentos eleitorais que considera legítimos. A próxima eleição geral da Índia está prevista para 2029.
Analistas ouvidos pela reportagem apontam que as manifestações e o aumento do apoio à oposição representam a mais grave crise política enfrentada por Modi desde que ele assumiu o cargo, em 2014.
Fonte: Al Jazeera – Breaking News, World News and Video from Al Jazeera.

