Uma campanha dissidente de conservadores republicanos tenta eleger por escrito o deputado Ralph Norman ao Senado dos Estados Unidos na eleição de meio de mandato desta terça-feira (3), na Carolina do Sul. O movimento desafia a candidatura da senadora Darline Graham, apoiada pelo presidente Donald Trump, e pode ampliar a divisão entre os republicanos em um estado tradicionalmente favorável ao partido.
A iniciativa, chamada Write-In Ralph, é liderada em parte por Avery Milton, de 28 anos, que afirma ter votado em Trump nas três eleições anteriores. Segundo ele, a decisão do presidente de iniciar uma guerra contra o Irã, após prometer evitar novos conflitos, contribuiu para seu afastamento político. Milton também critica a indicação de Graham, que considera resultado de uma articulação rápida entre a nomeação temporária e a campanha por um mandato completo.
Graham assumiu o cargo depois da morte repentina de seu irmão, o senador republicano Lindsey Graham, em 11 de julho. Ela foi nomeada para completar o restante do mandato e se tornou a primeira irmã a ocupar uma vaga aberta no Senado dos EUA pela nomeação de um familiar. Dias depois, Trump pediu que ela concorresse ao mandato de seis anos e anunciou apoio total à candidatura.
Na primária republicana de agosto, Graham derrotou Norman, que representa o quinto distrito congressional da Carolina do Sul. Desde então, ele tem evitado fazer campanha ao lado da senadora e sinalizado que seu apoio a ela é limitado. Em declaração ao Wall Street Journal, Norman afirmou que o voto precisa ser conquistado e que Graham ainda não havia feito isso.
Disputa apertada
A insatisfação ganhou força na região de Upstate, onde Norman tem apoio significativo. Milton acusa a candidata de ter feito pouco para alcançar os eleitores locais, além de participar de jantares privados e de eventos com Trump. O grupo que o deputado apoia pretende oferecer aos eleitores uma alternativa que, segundo seus organizadores, tenha mais independência em relação à liderança partidária.
A estratégia é incomum porque o nome do candidato não aparece na cédula: o eleitor precisa escrevê-lo manualmente. Esse tipo de candidatura costuma ser usado como forma de protesto e raramente termina em vitória. Em 2010, porém, Lisa Murkowski foi eleita senadora pelo Alasca após vencer uma campanha por escrito, depois de perder a primária republicana. Na Carolina do Sul, votos desse tipo representaram 0,1% do total na disputa para o Senado em 2022.
A divisão ocorre enquanto a corrida principal se tornou mais competitiva. Pesquisa do New York Times com a Siena College, realizada em outubro, mostrou Graham e a democrata Annie Andrews empatadas em 48% entre os eleitores prováveis. Entre os independentes, que representariam 30% desse eleitorado segundo o mesmo levantamento, Andrews tinha vantagem de 20 pontos percentuais.
Quase 950 mil votos antecipados já haviam sido registrados no estado, de acordo com a Comissão Eleitoral da Carolina do Sul, um recorde para uma eleição de meio de mandato. Trump venceu no estado por quase 18 pontos percentuais em 2024, mas visitou a Carolina do Sul duas vezes em três meses para fazer campanha por Graham.
Os republicanos dissidentes dizem aceitar o risco de facilitar a vitória democrata. Milton afirma, porém, que eventual derrota de Graham não deve ser atribuída exclusivamente à campanha por escrito, porque os eleitores envolvidos no movimento não necessariamente votariam na candidata apoiada por Trump.
Fonte: Al Jazeera – Breaking News, World News and Video from Al Jazeera.

