Promotores do Reino Unido apresentaram as primeiras acusações no país relacionadas ao genocídio contra os tutsis em Ruanda, ocorrido em 1994. Vincent Brown, de 65 anos, foi preso e acusado de uma conduta auxiliar ao genocídio e de seis crimes de auxílio a crimes contra a humanidade.
Segundo o Crown Prosecution Service, órgão britânico de acusação, Brown é suspeito de ter participado do genocídio e de ter dirigido e incitado atos de assassinato e genocídio cometidos por outras pessoas. As acusações são alegações, e o caso ainda será analisado pela Justiça.
Brown, que anteriormente usava o nome Vincent Bajinya, deve comparecer na terça-feira ao Westminster Magistrates’ Court, em Londres. Ele é médico e vive na capital britânica, onde trabalhou para uma organização de assistência a enfermeiros e parteiras refugiados que buscavam emprego no Reino Unido.
Investigação começou após negativa de extradição
O homem foi preso pela primeira vez em 2006. Em 2017, um tribunal britânico recusou sua extradição para Ruanda, junto com a de outros quatro homens. Dois anos depois, investigadores de crimes de guerra da Polícia Metropolitana de Londres retomaram a apuração a pedido do governo ruandês.
Brown é originalmente de Kigali e teria entrado no Reino Unido como solicitante de asilo em 1998, segundo declaração atribuída ao então ministro da Justiça de Ruanda, Tharcisse Karugarama, em 2006. O advogado Philip Eldin-Taylor afirmou na época que o médico mudou de nome depois de obter a cidadania britânica, em 2004.
As autoridades britânicas informaram que continuam investigando outros suspeitos do genocídio ruandês que vivem no país. Para a polícia, o caso mostra que o Reino Unido não deve ser considerado um refúgio seguro para pessoas suspeitas de crimes internacionais.
O genocídio de 1994 deixou cerca de 800 mil mortos, segundo estimativa mencionada no caso. A maioria das vítimas era de tutsis, e os assassinatos ocorreram ao longo de cem dias.
Fonte: Al Jazeera

