AGORAAcompanhe as principais notícias do Brasil e do mundo.
Mundo

Reino Unido acusa médico de participação no genocídio de Ruanda

Vincent Brown foi detido após investigação de sete anos e responderá por uma acusação ligada a genocídio e seis crimes contra a humanidade

Por Vitoria · September 21, 2026

Promotores do Reino Unido apresentaram as primeiras acusações no país relacionadas ao genocídio contra os tutsis em Ruanda, ocorrido em 1994. Vincent Brown, de 65 anos, foi preso e acusado de uma conduta auxiliar ao genocídio e de seis crimes de auxílio a crimes contra a humanidade.

Segundo o Crown Prosecution Service, órgão britânico de acusação, Brown é suspeito de ter participado do genocídio e de ter dirigido e incitado atos de assassinato e genocídio cometidos por outras pessoas. As acusações são alegações, e o caso ainda será analisado pela Justiça.

Brown, que anteriormente usava o nome Vincent Bajinya, deve comparecer na terça-feira ao Westminster Magistrates’ Court, em Londres. Ele é médico e vive na capital britânica, onde trabalhou para uma organização de assistência a enfermeiros e parteiras refugiados que buscavam emprego no Reino Unido.

Investigação começou após negativa de extradição

O homem foi preso pela primeira vez em 2006. Em 2017, um tribunal britânico recusou sua extradição para Ruanda, junto com a de outros quatro homens. Dois anos depois, investigadores de crimes de guerra da Polícia Metropolitana de Londres retomaram a apuração a pedido do governo ruandês.

Brown é originalmente de Kigali e teria entrado no Reino Unido como solicitante de asilo em 1998, segundo declaração atribuída ao então ministro da Justiça de Ruanda, Tharcisse Karugarama, em 2006. O advogado Philip Eldin-Taylor afirmou na época que o médico mudou de nome depois de obter a cidadania britânica, em 2004.

As autoridades britânicas informaram que continuam investigando outros suspeitos do genocídio ruandês que vivem no país. Para a polícia, o caso mostra que o Reino Unido não deve ser considerado um refúgio seguro para pessoas suspeitas de crimes internacionais.

O genocídio de 1994 deixou cerca de 800 mil mortos, segundo estimativa mencionada no caso. A maioria das vítimas era de tutsis, e os assassinatos ocorreram ao longo de cem dias.

Fonte: Al Jazeera

Vitoria