A Sequoia anunciou o encerramento de seu programa de scouts como parte de uma ampla reorganização, que também inclui o fechamento do escritório da gestora em Londres. A decisão sobre os scouts chama atenção no mercado de capital de risco porque a empresa foi pioneira nesse modelo, adotado depois por diversas concorrentes.

O programa permitia que fundadores e operadores selecionados emitissem cheques em nome da Sequoia. A estrutura ajudava a ampliar o acesso a oportunidades de investimento, especialmente em estágios iniciais, nichos e regiões com menor alcance direto das grandes gestoras.

Em um memorando publicado no X, a Sequoia apresentou as mudanças como uma busca por maior foco. A empresa afirmou que pretende concentrar mais energia em um número menor de pessoas e iniciativas, sem fazer no documento uma argumentação específica contra o modelo de scouts.

Modelo passa por revisão no setor

A avaliação de que o formato atingiu limites em sua configuração atual vem ganhando espaço entre investidores. Para os fundos, manter redes amplas de scouts pode significar dispersão de recursos e dificuldade para acompanhar o desempenho ou o envolvimento de cada participante.

O investidor Sheel Mohnot, citado pelo TechCrunch, afirmou que o modelo nunca lhe pareceu fazer sentido e levantou dúvidas sobre o nível de comprometimento dos scouts com os investimentos. Ele também disse suspeitar que outras gestoras possam encerrar programas semelhantes.

A Andreessen Horowitz, conhecida como a16z, adotou uma direção diferente. A gestora mantém uma rede global voltada a identificar oportunidades nos Estados Unidos e em centros europeus menores, mas reduziu o número de scouts e passou a oferecer mais recursos aos participantes selecionados.

Segundo Gabriel Vasquez, sócio da a16z, os scouts passaram a ter mais orçamento e também responsabilidades mais ativas, como a coorganização de jantares com a firma. A reformulação indica uma tentativa de tornar a rede mais concentrada, em vez de simplesmente ampliá-la.

Impacto para fundadores e investidores

Para fundadores, atuar como scout pode aproximá-los de gestoras às quais eventualmente pedirão aportes ou onde poderão buscar uma posição como sócios. A função também pode contribuir para sua reputação entre outros empreendedores, por indicar capacidade de selecionar e apoiar investimentos.

Roxanne Varza, diretora da Station F e ex-scout da Sequoia entre 2020 e 2025, lamentou o fim do programa. Em mensagem ao TechCrunch, ela afirmou que a experiência serviu de etapa para pessoas interessadas em se tornar gestoras ou criar seus próprios fundos, ao permitir a construção de histórico de investimentos e de relações com diferentes firmas.

Na avaliação de Varza, esses programas também ajudaram a amadurecer a cultura de investimentos e o mercado de aportes em empresas em estágio inicial na Europa. Ela, no entanto, disse não ter informações além do que foi divulgado publicamente pela Sequoia.

O encerramento pode refletir ainda mudanças nos incentivos do setor. Operadores experientes talvez obtenham maior retorno ao investir o próprio dinheiro como investidores-anjo. Além disso, grandes gestoras se tornaram conhecidas o suficiente para receber propostas de muitos dos principais fundadores, reduzindo a necessidade de redes extensas para encontrar negócios.

A tendência, segundo a análise apresentada pelo TechCrunch e a avaliação de Varza, pode ser de reformulação, e não necessariamente de desaparecimento completo. Estruturas semelhantes às de parceiros de investimento ainda podem ser mantidas para alcançar negócios muito iniciais ou oportunidades em áreas e geografias nas quais as gestoras tenham menos presença direta.

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Felipe é autor do Ginga Notícias e acompanha os principais acontecimentos do Brasil e do mundo. Escreve sobre temas de interesse público e assuntos que movimentam o noticiário, buscando apresentar informações de forma clara, contextualizada e acessível ao leitor.

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