Um deslizamento de terra no fiorde Tracy Arm, no Alasca, provocou o segundo maior tsunami já registrado e lançou água e detritos a 481 metros de altura pela encosta oposta. O volume atingiu uma elevação superior à do último andar do arranha-céu Taipei 101 e arrancou a vegetação e o solo das paredes do fiorde até deixar a rocha exposta.
O evento ocorreu cerca de 12 horas depois de passageiros do navio Hanse Explorer deixarem a região do glaciar South Sawyer, onde haviam feito fotos e vídeos. Na madrugada seguinte, uma porção da montanha vizinha desabou na água. Não havia embarcações próximas no momento do tsunami, segundo o material do estudo.
A análise foi apresentada por pesquisadores do Alaska Earthquake Center, incluindo o sismólogo responsável pelo estado do Alasca, em trabalho publicado originalmente pelo The Conversation e reproduzido pela ScienceDaily. O estudo aponta que a combinação de sinais observada antes do colapso poderia ter sustentado alertas graduais caso existisse um sistema de monitoramento específico para esse tipo de risco.
Sinais de instabilidade
O glaciar abaixo da área do deslizamento havia recuado mais de 0,5 quilômetro em dois meses e passava por um período de desprendimento acelerado de blocos de gelo. Também havia registro de chuvas intensas, que podem elevar a pressão da água nas fraturas da montanha e aproximar as encostas do rompimento.
O sinal considerado mais relevante pelos pesquisadores foi a ocorrência de milhares de pequenos tremores sísmicos nos dias anteriores. Nas horas que antecederam o deslizamento, os eventos aumentaram de forma acelerada e deram lugar a um tremor contínuo, descrito como um “zumbido” de energia sísmica.
Na avaliação dos autores, as condições meteorológicas e o recuo da geleira poderiam ter motivado um alerta inicial de atenção para a área. O aumento dos tremores, por sua vez, seria compatível com uma advertência mais urgente para manter barcos e navios afastados do fiorde.
Risco em outras regiões
Deslizamentos desse tipo são comuns nas montanhas costeiras do Alasca, onde o relevo íngreme, a atividade tectônica, a perda de gelo, a chuva e a ação das geleiras atuam conjuntamente. Os pesquisadores identificaram, nos últimos anos, vários grandes deslizamentos próximos ao ponto final de geleiras em recuo.
O fenômeno também é observado no entorno do Ártico, incluindo regiões da Groenlândia e da Noruega. Quando milhões de toneladas de rocha atingem a água, parte do movimento é transferida para as ondas do tsunami. Segundo o estudo, o recuo do gelo pode contribuir para a instabilidade das montanhas, embora os mecanismos ainda não sejam completamente compreendidos.
Atualmente, não há nos Estados Unidos um sistema de monitoramento de deslizamentos operando nessa escala. Uma estrutura desse tipo exigiria a cooperação entre órgãos estaduais e federais, além do reforço das redes de observação e comunicação.
Depois que um grande deslizamento começa, sinais sísmicos podem indicar em poucos minutos o tamanho aproximado do evento e se ele ocorreu perto de uma área aberta de água. Para embarcações muito próximas, o tempo de resposta seria limitado. Mais distante, porém, um sistema integrado poderia oferecer cerca de dez minutos de aviso para pessoas atingidas pelas ondas.

