O Departamento de Justiça dos Estados Unidos sofreu uma série de reveses judiciais ao tentar intervir em procedimentos eleitorais às vésperas das eleições de meio de mandato, segundo reportagem publicada pela WIRED. As iniciativas incluem pedidos relacionados a listas de eleitores, cédulas pelo correio e certificação de resultados em diferentes estados.
A ofensiva ocorre sob o comando do procurador-geral Todd Blanche, que, de acordo com a reportagem, tem defendido alegações sobre a presença de eleitores não cidadãos nos registros eleitorais. O Departamento de Justiça também enviou cartas a autoridades dos 50 estados advertindo que poderia buscar responsabilização criminal caso registros eleitorais não fossem preservados por 22 dias.
As medidas foram apresentadas enquanto os americanos já votavam. Especialistas ouvidos pela WIRED avaliam que as ações, mesmo quando sem perspectiva de vitória, podem alimentar questionamentos sobre o resultado da votação. O Departamento de Justiça afirma que atua com base nos fatos e na lei, e não em um calendário político.
Disputas na Califórnia e no Alasca
Na Califórnia, o órgão processou o estado para tentar obrigar autoridades a separar cédulas pelo correio associadas a cerca de 20 mil eleitores apontados como possíveis não cidadãos. Um juiz federal rejeitou o pedido e questionou a credibilidade da metodologia usada para chegar ao número. A tentativa de recurso também foi negada rapidamente.
Uma análise apresentada pela Coalition for Humane Immigrant Rights indicou que mais de 40% dos nomes da lista não estavam nos arquivos eleitorais atuais da Califórnia. O Departamento de Justiça contestou a divulgação da análise e pediu que a Justiça avaliasse a possibilidade de acusações por desacato. Mesmo após as derrotas, o órgão emitiu intimações de grande júri a autoridades eleitorais locais do estado.
No Alasca, a pasta entrou com uma ação para impedir a certificação da eleição para o Senado caso a democrata Mary Peltola vencesse. O processo citou a presença de um candidato com nome semelhante ao do republicano Daniel Sullivan. A Suprema Corte do Alasca havia decidido anteriormente que Daniel J. Sullivan Jr. poderia permanecer na cédula.
Um juiz federal rejeitou a ação, considerando que o pedido provavelmente violava o direito dos eleitores ao voto secreto. O Departamento de Justiça recorreu. Paralelamente, o governador Michael Dunleavy determinou uma investigação para avaliar possíveis acusações contra Peltola e afirmou que não poderia garantir a certificação de uma eventual vitória enquanto o procedimento estivesse em andamento. A candidata negou envolvimento com o chamado candidato-coringa.
Alegações sobre eleitores não cidadãos
Em julho, o Departamento de Segurança Interna afirmou ter identificado mais de 270 mil eleitores não cidadãos em quatro estados: Califórnia, Nevada, Pensilvânia e Nova Jersey. A reportagem relata que a alegação perdeu força depois que autoridades de Nevada disseram não ter recebido evidências para sustentar a existência de 15.903 casos. O número posteriormente caiu para 185, mas a procuradoria-geral adjunta do estado afirmou que os registros indicavam que essas pessoas eram cidadãs.
Em Washington, o Departamento de Justiça alegou que dados federais apontavam cerca de 400 não cidadãos registrados para votar e pediu que as autoridades isolassem essas cédulas. O secretário de Estado Steve Hobbs respondeu que o órgão não havia apresentado provas individualizadas nem explicado a origem das listas.
Segundo análise do Brennan Center citada pela WIRED, 34 tribunais distritais federais decidiram contra o governo Trump desde 2025 em casos que envolviam acesso a registros eleitorais e implementação de ordens executivas. Especialistas ouvidos pela revista afirmam que as instituições eleitorais estaduais e locais continuam responsáveis pela condução do processo.

