O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reapresentar Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) ainda em 2026, segundo informações atribuídas a fontes ouvidas pela CartaCapital. A estratégia considera que a composição atual do Senado seria mais favorável à aprovação do nome do que a prevista para 2027.

Messias, advogado-geral da União, já havia sido indicado ao tribunal em abril, mas a escolha enfrentou resistência no Senado. De acordo com a reportagem, o desgaste entre Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), contribuiu para a rejeição da indicação.

Desde a abertura da vaga, Alcolumbre defendia o nome de Rodrigo Pacheco. A decisão do presidente de indicar Messias sem um alinhamento prévio com o comando do Senado foi interpretada por governistas como um gesto de desprestígio. O senador, então, teria atuado contra a aprovação do advogado-geral.

Conversa com Alcolumbre

Apesar da intenção de insistir na escolha, aliados avaliam que Lula precisa evitar uma nova crise política antes de formalizar o nome. A sugestão é que o presidente converse com Alcolumbre para tentar construir as condições necessárias à tramitação da indicação e reduzir o risco de uma nova derrota.

Segundo uma das fontes citadas, a relação entre Lula e Messias continua preservada. A reportagem também afirma que a recusa do advogado-geral em apresentar uma ação contra o ministro André Mendonça, a pedido do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não abalou a confiança do presidente.

Na ocasião, Lula teria considerado necessário reduzir os ataques ao STF, em meio a uma crise que, conforme o relato, também poderia atingir sua campanha. O chefe do Executivo conta ainda com o apoio de aliados e de pessoas próximas ao governo para manter o nome de Messias no processo.

Rito no Senado

Se a decisão for retomada, Lula deverá enviar formalmente a indicação ao Senado depois da conversa com Alcolumbre. Caberá ao presidente da Casa marcar a sabatina. A aprovação exige ao menos 41 votos dos senadores.

Além da vaga de Luis Roberto Barroso, que ainda não foi preenchida, Lula poderá indicar outros três ministros nos próximos anos, em razão das aposentadorias previstas de Luiz Fux, em 2028, Cármen Lúcia, em 2029, e Gilmar Mendes, em 2030.

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